Wimbledon 2019: análise e previsões

O torneio mais tradicional do tênis está prestes a começar. Nas próximas duas semanas, a grama sagrada de Wimbledon será o centro das atenções dos fãs de tênis.

Antes de mais nada, os holofotes estão voltados para o Big 3 (Djokovic, Nadal e Federer), que concentra os últimos dez títulos de Grand Slams. Mas Wimbledon está cada vez mais imprevisível. Só nas últimas três edições, tivemos nomes como Milos Raonic, Marin Cilic e Kevin Anderson entre os finalistas.

Será que teremos azarões em 2019? E dos brasileiros, o que esperar? Abaixo, traremos essas e outras respostas com tudo o que você precisa saber sobre a edição 2019 de Wimbledon.

Big 3

Djokovic, Federer e Nadal ganharam 14 das 16 últimas edições de Wimbledon. Mas isso está longe de significar um passe livre. Sem forçar muito a memória, podemos lembrar de Djokovic caindo para Sam Querrey (2016), Nadal superado por Gilles Müller (2017) ou Federer eliminado diante de Kevin Anderson (2018).

Nesta edição, Djokovic é quem aparentemente tem a chave mais favorável. Mas o atual campeão também possui a estreia mais indigesta. Philipp Kohlschreiber é sempre um adversário traiçoeiro. Neste ano, foi o alemão quem eliminou Djoko em Indian Wells.

A chave de Federer parece bem menos assustadora com a desistência de Borna Coric, que era o seu potencial adversário na quarta rodada (e que gosta de aprontar contra o suíço). Porém, não será fácil lidar potencialmente com Pouille/Gasquet na 3ª rodada e Berrettini na fase seguinte. O adversário da estreia será o NextGen Lloyd Harris.

Sobrou para Rafael Nadal, que caiu em uma chave duríssima. Logo na segunda rodada, Rafa pode enfrentar ninguém menos do que Nick Kyrgios.

 

O desafeto do espanhol será um teste ingrato, ainda mais se considerarmos que a grama é mais rápida nos primeiros dias. E mesmo que supere Kyrgios, Nadal potencialmente enfrentaria Tsonga/Shapovalov e Cilic antes mesmo das quartas de final.

Brasileiros sem sorte em Wimbledon

O Brasil tem dois representantes nas chaves de simples e três nas duplas masculinas. Acredite ou não, simplesmente TODOS deram azar no sorteio.

Comecemos pelo casal 20 do tênis brasileiro, Thiago Monteiro e Beatriz Haddad Maia. Ambos furaram o qualifying, mas terão que lidar com missões quase impossíveis na abertura: Monteiro enfrenta Kei Nishikori, sétimo melhor do ranking da ATP. Bia, por sua vez, caiu com ninguém menos que Garbiñe Muguruza, campeã de Wimbledon em 2017.

Thiago Monteiro e Beatriz Haddad Maia furaram o quali, mas terão pedreiras na chave principal de Wimbledon. Foto: Reprodução
Thiago Monteiro e Beatriz Haddad Maia furaram o quali, mas terão pedreiras na chave principal de Wimbledon. Foto: Reprodução

Nem nas duplas, onde reside a maior força do tênis brasileiro, o desafio será mais fácil. Para piorar, todos os nossos representantes caíram no mesmo lado da chave.

Marcelo Melo e Lukasz Kubot, campeões em 2017, encaram logo na primeira rodada uma pedreira: McLachlan/Struff, finalistas em Auckland e Dubai nesta temporada. Por sua vez, Marcelo Demoliner e o indiano Divij Sharan defrontam de cara os campeões de Roland Garros, Krawietz/Mies.

Por fim, Bruno Soares e o croata Mate Pavic enfrentam os holandeses Arends/Middelkoop. Mais uma estreia perigosa, especialmente pelo fato de a parceria estar só começando. Depois de romper com Jamie Murray, Bruno fará apenas o seu segundo torneio ao lado de Pavic.

5 possíveis azarões em Wimbledon

Daniil Medvedev

Top-15 do mundo, o russo já construiu uma reputação no circuito, mas ainda falta um breakout em Slams. E eu acho que realmente pode ser em Wimbledon. É claro, o caminho não será fácil. Tsitsipas é um dos potenciais adversários na quarta rodada, mas vale lembrar que Medvedev venceu todos os quatro jogos contra o grego na carreira.

Nas quartas, Medvedev poderia ter pelo caminho ninguém menos do que Novak Djokovic. Mas por que não acreditar? Com uma ótima devolução de saque e um backhand de duas mãos agressivo (e artístico), o russo realmente pode fazer barulho em Wimbledon.

Matteo Berrettini

Na melhor fase da carreira, Berrettini faz uma temporada de grama fantástica. Foi campeão em Stuttgart sem nem mesmo ter seu serviço quebrado (!) e chegou à semifinal de Halle na semana seguinte.

 

Ainda falta cancha em Slams, fora a possibilidade de encontrar Roger Federer na quarta rodada. Mas seu ótimo saque, forehand pesado e uma ótima subida à rede fazem com que ninguém se sinta confortável em enfrentá-lo. Nem mesmo o melhor jogador de grama de todos os tempos.

Sofia Kenin

Campeã em Mallorca, a algoz de Serena Williams em Roland Garros tem tudo para fazer o melhor Slam da carreira. A norte-americana de 20 anos é agressiva, tem um ótimo backhand e uma concentração incomum para alguém de sua idade. Naomi Osaka é uma potencial adversária na terceira rodada, mas eu realmente vejo chances.

 

Veronika Kudermetova

Nas casas de apostas, Kudermetova não está nem entre as 40 mais cotadas para vencer Wimbledon. Mas hey, é WTA, e você sabe que tudo é possível. A russa pode ter Caroline Wozniacki pelo caminho na segunda rodada, mas Kudermetova já derrotou a dinamarquesa em Roland Garros.

Além disso, ela também é bastante agressiva e tem um jogo que se adapta à grama. Fez semifinal de Hertogenbosch neste ano e, em 2018, derrotou Kontaveit no mesmo torneio. Fique de olho.

Daniel Evans/Lloyd Glasspool

Me chamem de louco, mas eu acho que Dan Evans causará impacto em Wimbledon. E se não for em simples, eu acredito fielmente que pode ser na chave de duplas, ao lado de Lloyd Glasspool. Neste ano, os britânicos fizeram semi no Challenger de Surbiton, derrotando duplas respeitáveis (Demoliner/Sharan e Kyrgios/Kokkinakis) e quase venceram Cabal/Farah em Eastbourne.

Evans e Glasspool não são favoritos sequer no confronto de primeira rodada (Mayer/Sousa). E ainda que Wimbledon seja o Slam menos propenso a zebras em duplas, não esqueça dessa parceria.

5 jogos para não perder na 1ª rodada de Wimbledon

Segunda-feira (1):

  • Djokovic x Kohlschreiber (não antes das 9h): é bom não duvidar da capacidade de Kohlschreiber em proporcionar uma estreia mais emocionante do que se espera.
  • Venus Williams x Gauff (não antes das 12h30): de um lado, uma jogadora de 39 anos; do outro, uma de QUINZE. Não preciso dizer mais nada.

Terça-feira (2):

  • Kyrgios x Thompson: todo mundo está falando de Kyrgios x Nadal na 2ª rodada, mas Thompson faz uma ótima temporada de grama. Quem disse que vai ser fácil?
  • Barty x Zheng: você não vai querer perder a chance de ver a nova número 1 do mundo, né?

Quinta-feira (4):

  • Herbert/Murray x Copil/Humbert: não é nem por ser necessariamente um jogo competitivo. É só porque você deve parar tudo para ver Andy Murray mesmo.

Palpites para o título de Wimbledon

Simples masculino: Novak Djokovic
Simples feminino: Karolina Pliskova
Duplas masculinas: Ram/Salisbury

E aí, já está ansioso para Wimbledon? Quais são os seus palpites? Deixe o seu comentário aqui embaixo!

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