Toronto Raptors: da chacota à final da NBA

Parece que foi ontem que o “modo playoff” do Raptors era sinônimo de chacota. Agora, o Toronto Raptors está na final da NBA. A conquista da Conferência Leste tem vários significados. É a mudança de perspectiva de uma cidade. Mas também é, para sempre, a mudança de percepção da franquia.

O Raptors não é mais o time que sempre chega e morre na praia. É também um time vencedor. E nestes maus e bons momentos, uma figura sempre esteve lá: Kyle Lowry. O camisa 7 de sete anos inteiramente dedicados à franquia canadense.

Os dias de luta do Toronto Raptors foram ingratos com seu fiel escudeiro. Por anos, Lowry conviveu com o injusto estigma de “pipoqueiro” em momentos decisivos.

Só para ilustrar, Lowry acumula médias de 20.7 pontos, 6.3 assistências e 5.6 rebotes em jogos de eliminação em playoff. Isso sem falar dos clutch shots que se perderam com o tempo. Jogo 2 contra o Bucks em 2017, jogo 4 contra o Cavaliers no mesmo ano, jogos 2 e 3 contra o Heat em 2016…e dezenas de outros em que a memória falha.

Na alegria e na tristeza, ninguém apareceu mais do que Kyle Lowry. Até mesmo quando LeBron James assombrava do outro lado. Em 2017-18, Lowry teve médias de 17.8/8.5/3.5 contra o Cavaliers. Na temporada anterior, provavelmente teria evitado a varrida se não tivesse lesionado nos jogos 3 e 4.

Nessa temporada, Lowry novamente está no sacrifício. O dedão deslocado no jogo 7 contra o Sixers provavelmente vai requerer cirurgia na offseason. No entanto, isso não o impediu de fazer uma série memorável contra o Milwaukee Bucks, com médias de 19.2/5.5/5.2, além de 50,7 FG%, 3.3 bolas de 3 e, pasmem, um true shooting (estatística que mede a eficiência de arremessos de quadra e lances livres) de 70,9%.

 

O fator Kawhi

Então talvez você me diga que o grande culpado era DeMar DeRozan. Não é o que eu acredito. Ao invés de achar um culpado, o Raptors foi atrás da solução. E a solução atende por Kawhi Leonard.

No início da temporada, escrevi sobre como a chegada de um Kawhi era um all-in do Toronto pelo título. Você pode ter esquecido, mas essa troca foi uma decisão sensível, arriscada. Até então, Leonard não parecia interessado em passar mais de um ano no Canadá (ou de simplesmente ter pisado lá). Ademais, sua temporada anterior havia sido um tanto sombria, com polêmicas atípicas fora da quadra.

Mas Kawhi Leonard trouxe exatamente aquilo que o Raptors precisava: uma mentalidade vencedora. A pós-temporada de Kawhi já está guardada em um lugar especial na história da NBA. Leonard acumula 31.2 pontos e 8.8 rebotes de média em 16 jogos. Algo sem precedentes.

É preciso dizer que, desde o começo, o Raptors acreditou que Kawhi seria ESSE cara. Nick Nurse e seus auxiliares resguardaram ao máximo a grande estrela da franquia. Basta lembrar que, na temporada regular, seis jogadores do elenco disputaram mais partidas do que Kawhi. Um planejamento que permitiu a Leonard ter média de 41.3 minutos em quadra na final contra os Bucks.

Mais do que isso: um sucesso que agora faz Kawhi considerar a permanência definitiva no Canadá. Seja como for, o Toronto Raptors venceu.

Outros personagens do enredo

Mas a faceta vencedora do Toronto não é só de Kawhi Leonard. É também de Marc Gasol, um competidor nato, tão importante nas duas primeiras séries contra Nikola Vucevic e Joel Embiid. É também de Pascal Siakam, indiscutivelmente o jogador que mais evoluiu na temporada.

O Raptors vencedor também é de Fred VanVleet. Mas só o VanVleet pós-paternidade, com 14 bolas de 3 nos últimos três jogos. Os canadenses já sonham com a adoção de umas três crianças até o jogo 1, na quinta-feira.

O sucesso do Raptors também é de Norman Powell, embora seja sua temporada de menor preponderância no time. Só foi três vezes titular na temporada regular. Não disputou o jogo 7 contra o Sixers. Mas foi importantíssimo na final do Leste, com médias de 12.3 pontos e 2.2 bolas de três pontos por jogo.

E como não falar de Masai Ujiri, o executivo das decisões que transformaram a história do Toronto Raptors. A demissão de Dwane Casey, a troca de DeRozan…sem dúvida, uma coragem devidamente premiada.

O que o Raptors pode aprontar na final?

É provável que o Toronto Raptors seja só mais uma presa do Golden State Warriors na final da NBA. Em primeiro lugar, este Warriors é um dos maiores da história. Como se não bastasse, é um matchup favorável ao time de Oakland, com muitos antídotos para Kawhi (Draymond, Iggy) e soberania no perímetro.

Mas final é final. E Toronto (a cidade, não necessariamente o time) promete criar uma das melhores atmosferas já vistas em decisões. É hora de desfrutar. A chacota já é um passado distante. Sem dúvida, o Toronto Raptors é um time vencedor.

Gostou da crônica? Então aproveita e deixa o teu comentário aqui embaixo sobre a sua visão da temporada memorável dos dinossauros. Será que o Toronto Raptors pode surpreender na final da NBA?

4 comentários em “Toronto Raptors: da chacota à final da NBA

  • maio 27, 2019 em 7:48 pm
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    Concordo com tudo. As dificuldades de Toronto passavam por não ter uma superestrela, e o Kawhi resolveu isso. Sem ele, não chegaria às finais. Então, a troca valeu muito a pena!

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    • maio 27, 2019 em 9:03 pm
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      Independentemente do que acontecer na offseason, certamente valeu a pena! Tacada de mestre do Ujiri. Obrigado pelo comentário, Cadu!

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  • maio 29, 2019 em 12:07 pm
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    Cara comecei a acompanhar a pouco tempo a nba mas o Toronto foi o time q mais me chamou atenção por como joga, e sem palavras para o monstro sagrado Klawhi Leonard apenas INCRÍVEL! O GSW pode ate levar mas promete ser um decisão incrível.

    PS: Quero até jogo 7 com Overtime kkkkkkkkkk

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    • maio 29, 2019 em 2:55 pm
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      Muito legal, Guilherme! Depois que a gente começa a acompanhar, não conseguimos mais parar, hahaha. Jogo 7 com overtime é garantia de terremoto no Canadá!!!

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