Só um milagre impede Brasil x França nas oitavas

O jogo que completou a rodada do grupo do Brasil no Mundial tinha cartas marcadas. Para a surpresa de absolutamente ninguém, a Itália goleou a Jamaica: 5 a 0. O resultado não ameaça em si a classificação do Brasil, que está praticamente garantida. No entanto, ele cria um cenário perigoso para a nossa seleção no mata-mata. Salvo um milagre, a adversária do Brasil nas oitavas da Copa do Mundo Feminina será a França, a dona da casa.

Antes de se aprofundar nas possibilidades, vamos explicar a situação atual deste Grupo C. A Itália é a líder isolada, com seis pontos; Brasil e Austrália somam três cada, com vantagem no saldo de gols para as brasileiras (+2 contra zero).

Se o Brasil não quiser depender de outros resultados para evitar o confronto precoce com a França, apenas um resultado lhe serve: vencer a Itália por dois ou mais gols de diferença. Assim, as brasileiras terminariam no mínimo em segundo lugar do grupo, à frente das italianas.

Por que Brasil x França nas oitavas da Copa?

Há uma razão para que qualquer outro resultado abra brecha para um Brasil x França. Explico: classificam-se para as oitavas de final os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros colocados. Se o Brasil não vencer a Itália, ou vencer apenas por um gol de diferença, é provável que seja ultrapassado pela Austrália. Isto porque as Matildas não apenas devem vencer a Jamaica, como fazer um bom saldo de gols.

Esta combinação colocaria o Brasil em terceiro na chave, ainda assim provavelmente classificado pelo índice técnico. É aí que mora a enrascada: o terceiro colocado do Grupo C pode se classificar em nove cenários diferentes. Em oito deles, o adversário seria o líder do Grupo A, que é a França, país-sede e um dos melhores times do Mundial.

Para o Brasil terminar em terceiro e não enfrentar a França, só uma combinação mirabolante: os melhores terceiros colocados teriam que sair essencialmente dos grupos B, C, E e F. Neste cenário, o Brasil enfrentaria o líder do Grupo B (Alemanha), o que também não é nada bom, claro. Mas isso é quase impossível.

Perigo à vista

Em todo caso, o fato é que a Itália deve criar muitos problemas para a seleção brasileira na terça-feira. A Azzurre é uma das gratas surpresas da competição, e hoje foi absolutamente dominante. Cristiana Girelli, com três gols, foi quem ganhou as manchetes. Mas quem orquestrou mesmo a goleada foi a volante Manuela Giugliano, do Milan. A “motorzinho” da Itália deu três assistências e teve uma atuação soberba.

Mesmo virtualmente classificada, a Itália não pisará no freio contra o Brasil. Sem Formiga, o Brasil perderá a combatividade no meio que poderia causar problemas para Giugliano. As jogadas de 1×1 de Bonansea no setor de Letícia Santos também devem colocar o Brasil em vulnerabilidade. Em contrapartida, uma de nossas vantagens pode ser o jogo aéreo, onde Cristiane levará ampla vantagem contra Gama e Linari.

Porém, o fato é que só um milagre impede um Brasil x França nas oitavas da Copa do Mundo Feminina. E, desta maneira, a continuidade das nossas meninas nesta jornada ficaria seriamente comprometida.

Outros jogos do dia

Atual vice-campeã mundial, a seleção japonesa deu a resposta necessária após a estreia pobre contra a Argentina. A vitória por 2 a 1 sobre a Escócia pode até não encher os olhos, mas a exibição nos primeiros 45 minutos foi soberba.

Méritos para a técnica Asako Takakura, que mexeu em três peças do time e todas elas foram decisivas. Endo e Iwabuchi combinaram para a jogada do primeiro gol, enquanto Ichise foi a melhor do time na zaga. Apesar de ter o terceiro time mais jovem do Mundial, as japonesas definitivamente não estão a passeio na França.

No outro jogo da chave, a Inglaterra bateu a Argentina por 1 a 0. Por incrível que pareça, ninguém brilhou mais nesta partida do que a goleira argentina Vanina Correa. Ela pegou um pênalti de Nikita Parris e fez outras cinco defesas em chutes de dentro da área. Porém, no fim, prevaleceu a qualidade do time inglês.

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