Saindo do Sofá #1: minha primeira vez no Morumbi

Desde o lançamento do site, confesso que a maior ansiedade era por estrear essa coluna: o ‘Saindo do Sofá’ é uma contradição divertida ao nome do site, mas também uma forma de mostrar que torcedor é torcedor, sem distinções. E viver o clima de arquibancada, mesmo que não seja o seu próprio time, é sempre uma sensação única. E a estreia dessa coluna marca um momento pessoalmente especial: São Paulo x Vasco, o jogo que marcou a minha primeira vez no Cícero Pompeu de Toledo, o popular Morumbi.

Conhecer o Morumbi é parte de uma nova experiência de vida: deixei minha terra natal, Manaus, para morar em São Paulo. Na minha casa, conheci estádios de diferentes níveis: o antigo Vivaldão, a repaginada Arena da Amazônia, a Colina, o Carlos Zamith e por aí vai. Sempre me diverti vendo os times locais, e um dia escrevo mais sobre isso. Minha cidade também me presenteou com jogos nacionais de grande relevância, além da Copa do Mundo, é claro. Fora de Manaus, só havia conhecido o Maracanã.

Em São Paulo, fui recentemente ao Pacaembu quatro vezes. Vi Santos x Ceará, Santos x Cruzeiro e dois jogos femininos – além de visitar o Museu do Futebol. Hoje foi a vez do Morumbi, e espero ganhar na loteria em breve para conhecer o Allianz Parque e a Arena Corinthians – por enquanto, o bolso não permite.

Confesso que o Morumbi me intrigou antes mesmo de conhecê-lo. Fui ciente que era um estádio de difícil acesso em qualquer meio de transporte, e pude comprovar de perto (enquanto a estação São Paulo-Morumbi não sair do papel, as coisas certamente não vão mudar). O bairro em si é ainda mais estarrecedor: basicamente uma esquina divide a famosa área nobre do local e a favela de Paraisópolis. Nunca vi nada parecido na vida. No acesso à Avenida Giovanni Gronchi, passei pelos dois extremos que moram lado a lado.

São Paulo x Vasco era um jogo de relativo risco, dada a rivalidade das principais organizadas dos clubes. E também era uma partida de altíssima tensão, com os são-paulinos podendo chegar à liderança do Brasileiro – e os flamenguistas, veja só, torcendo para o maior rival.

Ingresso barato = casa cheia

O ambiente foi maravilhoso: 53 mil pessoas nas arquibancadas. Este jovem manauara jamais havia visto tanta gente em um estádio. A propósito, parabéns ao São Paulo por manter os ingressos acessíveis mesmo em um momento de grande procura. Outros clubes deveriam se espelhar no tricolor.

Mas o Morumbi demorou a lotar, especialmente pela aglomeração do lado de fora – e aí voltamos para a dificuldade do acesso, com trânsito e muita gente chegando em cima da hora. Muitos chegaram com a bola rolando, mas foi o suficiente pra abrilhantar o espetáculo.

Faltando instantes para a bola rolar, muita gente ainda não havia chegado ao Morumbi. Foto: Gabriel Seixas

Em comparação ao Pacaembu, o Morumbi é um estádio bem mais moderno e com uma visão melhor para o campo. Um pouco castigado no corredor de acesso às arquibancadas, mas no geral, um local muito bonito e aconchegante. E o mais importante: o Morumbi estava pulsando, o que foi um espetáculo à parte.

Festa das torcidas no Morumbi

Os vascaínos estavam em pequeno número, claro, mas fizeram um barulho admirável. É uma torcida cheia de energia, o que ultimamente virou raridade nos estádios brasileiros. O ápice foi no gol de Yago Pikachu e nos dez minutos seguintes de muita pressão do time vascaíno: enquanto os são-paulinos pareciam atônitos, tentando entender o que estava acontecendo, os vascaínos cantavam como se estivessem em casa.

Mas a torcida mandante também deu um show. A propósito, o momento em que o estádio se uniu para cantar o hino do São Paulo foi maravilhoso. No segundo tempo, a torcida demorou a reagir e só cantou alto de verdade a partir dos 28 minutos, em uma cobrança de escanteio, quando o São Paulo foi à frente para retomar a vantagem no placar. E quando Tréllez fez o gol da vitória, o estádio estremeceu. O céu estava escurecendo, e a arquibancada ficou maravilhosa com os torcedores iluminando através de seus celulares.

O jogo também foi agradável. O São Paulo fez um gol logo no começo e administrou a vantagem no primeiro tempo, mas o Vasco foi pra cima na etapa final e conseguiu o empate na assistência de Giovanni Augusto, o melhor vascaíno em campo, e gol de Pikachu.

Mas Aguirre leu bem o jogo ao sacar Diego Souza e Nenê, além de ter feito as três substituições antes de Jorginho fazer qualquer uma. E Tréllez, um dos que entraram, fez o gol decisivo. Só senti falta de uma despedida mais efusiva para Éder Militão. Tudo bem que o time estava empatando quando ele foi substituído, mas ele acabou saindo como se nada estivesse acontecendo.

O São Paulo deve brigar pelo título até o fim do campeonato, o que fará do Morumbi um local interessantíssimo para sair do sofá o ano inteiro. Posso dizer que a minha primeira vez no estádio tricolor será inesquecível. E definitivamente não será a única.

Gostou da coluna? Comente aqui embaixo com as suas impressões. Nos encontramos em breve, no Morumbi ou em qualquer outro estádio. Afinal, sair do sofá sempre rende grandes histórias.

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