Pochettino, Tottenham e o poder da ilusão

He’s magic, you know. Esse é o canto que a torcida do Tottenham dedicou durante anos a Mauricio Pochettino. De fato, não é difícil compreender a magia do argentino. Pochettino fez o Spurs se infiltrar na elite do futebol europeu sem que verdadeiramente tenha pertencido a ela. Um ilusionista.

Todavia, ironicamente como um toque de mágica, o encanto acabou. Cinco meses depois de fazer o jogo mais importante de sua história, a final da Champions, o Tottenham demite Pochettino. É como aquele casamento para o qual nunca estamos preparados para o fim.

Mas os sinais estavam claros. Pochettino e o presidente do Tottenham, Daniel Levy, já não falavam a mesma língua desde o planejamento para a atual temporada.

Pochettino orquestrou a chegada do Tottenham à final da Champions em um momento peculiar da história do clube, que precisou jogar dois anos sem um estádio e passou mais de 500 dias sem contratar um único jogador.

Para esta temporada, estava claro que o Spurs precisava investir alto para manter o patamar conquistado. Mas Poch queria mais: queria uma transformação radical do elenco. Jogadores em fim de contrato, como Toby Alderweireld e Christian Eriksen, deveriam encontrar novos destinos para a revolução ganhar forma. Mas Levy tinha outros planos, e foi aí que o castelo começou a ruir.

O futuro do Tottenham (e de Pochettino)

Quando pensamos na separação entre Pochettino e Tottenham, é evidente que o cenário de incerteza paira em maior escala sobre o clube londrino.

Logicamente, o Tottenham é um clube com todas as condições de aspirar a elite do futebol mundial. O Spurs tem um dos estádios mais modernos do mundo, um centro de treinamento de ponta, um elenco de muito talento e dinheiro para qualificá-lo ainda mais.

Contudo, nada disso transmitia mais segurança de um futuro próspero do que Mauricio Pochettino. O rosto da esperança dos torcedores do Tottenham não era o de Harry Kane, nem o de Son Heung-Min, muito menos o de Daniel Levy: era, acima de todos, o do argentino. E é justamente por isso que agora é tão difícil prever como o Tottenham pode, de fato, concretizar sua ilusão.

Ganhou força o rumor de José Mourinho no Spurs. Uma união que soaria impossível no passado, mas que agora faz algum sentido: o português parece motivado a se provar novamente como um dos melhores no que faz. E o Tottenham, que tanto almeja a grandeza, pode incorporar um treinador que, antes de mais nada, é um vencedor nato.

Prever o futuro de Pochettino é um exercício bem mais simples. Dificilmente o argentino não estará em um grande clube do futebol mundial em um futuro próximo. Pode ser o Bayern de Munique, pode ser o Real Madrid. Seja qual for o destino, ele estará fazendo o que fez nos últimos cinco anos: mágica. Você sabe.

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