Os perigos da França, adversária do Brasil na Copa

Na semana passada, falamos aqui no blog que um Brasil x França nas oitavas da Copa do Mundo Feminina era praticamente inevitável. O milagre quase aconteceu, mas o confronto se confirmou.

Para nosso azar, motivos não faltam para temer este duelo. Não só pelas virtudes das anfitriãs, mas especialmente porque elas atacam diretamente os pontos fracos do time brasileiro.

Na sequência deste post, falaremos sobre como joga a temida França e o que o Brasil pode fazer para protagonizar a grande surpresa desta Copa. É possível? Confira:

Como joga a anfitriã?

A França de Corinne Diacre é, no mínimo, a segunda força desta Copa.

Uma das características mais marcantes das francesas é a construção essencialmente pelos flancos.

Antes de mais nada, o lado esquerdo é o mais forte. Amel Majri e Eugénie Le Sommer se complementam de maneira invejável. Quando o time tem a bola, Majri se posiciona praticamente como ponta, à frente de Le Sommer, que se movimenta por dentro e abre o corredor para a companheira de Lyon.

Esta tendência se justifica. Majri é uma das melhores do mundo nos cruzamentos, e este recurso é usado com frequência. Contra a Noruega, Majri somou 10 (!) bolas levantadas na área, sendo que uma delas terminou em gol de Gauvin. Contra a Nigéria, mais dez cruzamentos. Só para exemplificar, nossa lateral mais ativa, Tamires, cruzou apenas sete vezes nas últimas duas partidas.

Além disso, há outro dado que evidencia a força do lado esquerdo francês. No jogo contra a Noruega, as duas maiores conexões do time foram: Majri-Le Sommer, com 19 passes; e Le Sommer-Majri, com 14. Isso diz muita coisa.

Mas a França está longe de ser uma seleção previsível. Do outro lado, ainda que Marion Torrent seja uma lateral mais cautelosa, também há muita força. Foi por ali que a equipe atacou durante todo o primeiro tempo contra a Noruega, por exemplo. Por lá, aproveita-se a potência de Kadidiatou Diani, que também é extremamente voluntariosa na recomposição defensiva.

A França não circula tanto a bola por meio, a não ser quando ela está nos pés da craque Amandine Henry. Fato é que essa equipe se adapta a qualquer situação da partida: sabe propor jogo, esperar para contra-atacar, construir por qualquer lado, é forte na bola aérea defensiva e ofensiva…um time completo.

França ataca os pontos fracos do Brasil

Como dito no início do texto, os pontos fortes das francesas castigam justamente as nossas fragilidades.

Para começo de conversa, Majri/Le Sommer atacarão o lado onde o Brasil defende pior. Letícia Santos faz uma Copa abaixo da crítica. A lateral ganha poucos duelos (10/27 nos últimos dois jogos) e tem dificuldades para manter a linha defensiva. Majri pode ser inapelável nos espaços às suas costas.

Ludmila, que jogou contra a Itália, não parece a melhor alternativa para auxiliar Letícia nessa missão. Debinha pode ser deslocada para lá, mas quem defenderia do outro lado? Como já explicado aqui no blog, essa será uma das maiores dificuldades em acomodar Andressinha e Formiga no mesmo time.

Mas não para por aqui. A França tende a explorar constantemente os cruzamentos, especialmente nas bolas paradas, com a gigante Wendie Renard sempre bem posicionada. E se Valérie Gauvin começar como titular, Mônica e Kathellen terão ainda mais trabalho no jogo aéreo.

Não precisamos ir muito longe: o Brasil de Vadão foi absolutamente exposto pela Austrália nas bolas pelo alto. As australianas mandaram 50 bolas longas e 21 cruzamentos contra a nossa seleção. TODOS os três gols das Matildas saíram a partir de bolas aéreas.

 

A propósito, o jogo contra a Austrália é um retrato de tudo o que o Brasil NÃO pode fazer contra a França. Naquele jogo, Vadão montou a equipe em um 4-1-4-1 bastante compacto, negando espaços pelo meio e induzindo a Austrália a sair pelos lados.

Encontre o erro. O Brasil induziu as australianas a fazerem o que mais gostam! Com uma lateral do calibre de Ellie Carpenter, as brasileiras foram duramente castigadas mesmo com 2 a 0 de vantagem. Como se não bastasse, aquele 4-1-4-1 muitas vezes ficou desconfigurado quanto Marta não conseguia recompor.

O que fazer?

Por isso, se o Brasil quiser tentar neutralizar o jogo pelos lados das francesas, é difícil imaginar algo além do 4-4-2. Para isso, precisará de duas jogadoras na segunda linha com capacidade de ir e voltar. Uma é Debinha. Quem pode ser a outra? Ludmila? Andressinha sacrificada? Tamires adiantada para entrar uma outra lateral? Todas as alternativas apresentam debilidades.

Como ninguém é perfeito, vimos a França sofrer bastante quando é pressionada no seu campo de defesa. Noruega e Nigéria conseguiram explorar essa dificuldade em momentos específicos. Só que, com Marta e Cristiane, dificilmente o Brasil terá o fôlego necessário para esse trabalho.

E mesmo nos raros momentos em que o time de Vadão tenta pressionar, a pressão é descoordenada, com as jogadoras de defesa se mantendo próximas de Bárbara, sem acompanharem o movimento. Resultado? Mesmo quando recupera a bola no ataque, os setores estão muito distantes para o Brasil trabalhar algo produtivo.

Isso significa que o Brasil já está eliminado? Obviamente não. E se a França sentir a pressão de jogar um mata-mata em casa? E se Marta estiver em um dia ainda mais inspirado? É jogo de sacrifício, e o Brasil precisará se sacrificar muito para vencer. Antes de mais nada, é preciso acreditar.

E para você, o Brasil pode passar da França na Copa do Mundo Feminina? Deixa o teu comentário aqui embaixo!

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