O que esperar da “nova” ESPN Brasil?

Uma semana atrás, acordávamos todos surpresos com as demissões nos canais ESPN no Brasil. Nomes consagrados do jornalismo esportivo, como Juca Kfouri e João Carlos Albuquerque, o “Canalha”, foram colocados na rua. Diretores do canal conhecidos do público como Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi, também foram demitidos. Esses, além da função de diretores, também participavam de programas no canal. No “Linha de Passe”, por exemplo, eram sempre vistos.

Maurício Barros, que durante a época em que João Carlos Albuquerque apresentava o Bate-Bola na Veia (posteriormente Futebol na Veia) passou a ser visto com frequência no programa, também fez parte dos cortes. Claudio Arreguy foi outro dispensado. Da mesma forma, pessoas que só trabalhavam por trás das câmeras, como Renata Netto, gerente de produção, Stela Spironelli, diretora de arte, e o editor-chefe do “Bola da Vez”, Guilherme Graziano, também deram adeus.

Demissões mais badaladas

Além de todos os citados, outros dois nomes que foram demitidos na quarta-feira passada (14) saíram do canal com uma enorme repercussão: Rafael Oliveira e João Palomino.

Rafael, jovem comentarista, estava no canal desde 2013. Ele chegou na ESPN após ter obtido muito destaque no extinto canal de TV Esporte Interativo. Rafael Oliveira tem um enorme conhecimento de futebol e é sempre claro nos seus comentários.

Nesses seis anos de ESPN, Rafa cresceu e ganhou muito destaque. Tornou-se um dos principais comentaristas da Premier League, embora não ficasse restrito à Inglaterra. Na verdade, comentava jogos de todas as ligas, sempre com um enorme conhecimento.

O nome de Rafael Oliveira virou assunto número um nas redes sociais e sua demissão, até agora, é difícil de entender. Tão difícil que, uma semana depois, Rafa já foi contratado pela plataforma de streaming DAZN Brasil.

João Palomino estava na ESPN desde 1995. Narrador, apresentador, depois diretor. Ocupava o posto de vice-presidente de jornalismo da emissora. A demissão de Palomino deixou claro que a Disney não estava satisfeita com os rumos da emissora e queria mudar, principalmente, o alto escalão.

Curiosamente, Palomino demitiu José Trajano, que foi o manda-chuva da ESPN desde a fundação do canal até 2012. Data essa que Palomino assumiu a direção do canal, substituindo Trajano. De 2012 até 2016, Trajano passou a ser somente comentarista. Ele foi demitido em 2016. E não só ele. Muita gente foi embora da emissora nos últimos sete anos, na gestão Palomino.

Consequências na programação

Além disso, muitos eventos foram perdidos e programas extintos. Consequentemente, a programação foi mudada diversas vezes.

Champions League, Europa League, Bundesliga, Serie A italiana e Copa do Brasil foram alguns dos eventos relevantes que a ESPN transmitia e perdeu os direitos. Isso sem falar na FA Cup e na Copa da Itália, perdas mais recentes, além da Ligue 1.

O foco da programação se voltou para debates repetitivos o dia inteiro, somente alternando os participantes e o cenário. E inúmeros excelentes profissionais foram liberados neste processo, como Juliana Veiga, Dudu Monsanto, Fernando Meligeni, Dada Vieira, José Trajano, Lúcio de Castro, Marcelo Duarte, Sorín, Flávio Gomes e todos os supracitados. A lista é ainda mais longa.

Como explicar o fim do Sportscenter do horário do almoço, onde Dudu e Juliana tinham uma química incrível no programa? Pois é. A explicação deve ser a mesma para a demissão de Rafael Oliveira.

Qual o futuro da ESPN Brasil?

Já saíram notícias de que a Disney quer tomar como base os debates da Fox Sports para a “nova” ESPN Brasil. Sendo assim, fica claro porque Rafa Oliveira foi dispensado, já que ele definitivamente não atende este perfil.

Um alento para o canal é que as mudanças na direção da emissora (e a Disney acompanhando mais de perto o dia a dia do canal) indicam uma maior agressividade no mercado em busca de eventos. Adriana Esteves, executiva ex-Fox que foi contratada recentemente, é conhecida por ser mais agressiva no mercado em busca de eventos. E a ESPN Brasil precisa de eventos PARA ONTEM.

Com a saída de vários diretores, espera-se que o futuro da ESPN envolva uma mudança de programação drástica em breve. Talvez ainda esse ano. A audiência, aparentemente, é baixa no canal principal em vários horários e só cresce com alguns programas ou durante as transmissões de jogos nos finais de semana. Entretanto, durante a semana, são horas cansativas de polêmicas vazias.

A ESPN parece viver um processo de transformação que vem desde 2012 e nunca acaba. Para quem cresceu acompanhando o canal de esportes, fica clara a mudança de público e a linha de jornalismo.

Desejo sorte pra ESPN na nova fase, porque ela vai precisar. Se antes o canal sempre foi conhecido pelo jornalismo sério, hoje parece ter perdido sua identidade sem encontrar respostas para a concorrência.

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