O próximo passo para o futebol feminino

A maior Copa do Mundo Feminina de todos os tempos chegou ao fim. O Mundial da França marcou o tetracampeonato dos Estados Unidos, mas não apenas isso. Também marcou um engajamento sem precedentes na modalidade.

Você provavelmente está cercado de pessoas que pararam para assistir as mulheres jogarem pela primeira vez – ou talvez até seja um destes exemplos. Recordes de audiência foram quebrados pelo mundo, inclusive no Brasil, onde mais de 30 milhões de pessoas viram Brasil x França pela TV. Falando nisso, foi a primeira vez na história que a maior emissora do país exibiu partidas da Copa.

Agora é hora do próximo passo. O desafio é catalisar esse interesse para que o futebol feminino deixe de ser assistido somente de dois em dois anos, em Copas ou Olimpíadas, para ser visto todos os dias nos campeonatos ao redor do planeta.

É verdade que outros momentos de euforia pelo crescimento do futebol feminino já foram vividos. Mas há motivos de sobra para crer que este é legítimo. O principal deles é que a Copa do Mundo Feminina rompeu a barreira da inferiorização sempre imposta à modalidade.

O Mundial da França apresentou um espetáculo de altíssimo nível em termos técnicos e táticos. As goleiras, tão ridicularizadas no passado, fizeram uma Copa admirável. E enquanto se falava que o futebol feminino não tinha demanda, os recordes provam o contrário.

No embalo da Copa do Mundo Feminina

É claro que há uma discrepância – seria hipocrisia negá-la – entre as audiências estratosféricas da Copa e ligas nacionais que não sustentam média de público superior a mil pessoas.

Porém, a luta agora é exatamente essa: como fazer com que o futebol feminino deixe de ser um nicho para ser um produto efetivamente disseminado, com maiores possibilidades de se assistir às partidas.

Obviamente, essa é uma discussão profunda. Das jogadoras, não há mais o que se exigir. Se antes elas se desafiavam a mostrar que o produto era digno, agora elas exigem que os outros façam por onde.

O que pode ser feito pelas federações para mudar este cenário? Uma coisa é certa: está claro que é hora de investir nas ligas e colocá-las em evidência. Afinal, só assim o torcedor poderá estabelecer, de fato, um vínculo duradouro com a modalidade.

Direto ao ponto

Megan Rapinoe, craque da Copa do Mundo de 2019 e uma das vozes mais importantes no futebol sobre igualdade de gênero e outras causas sociais, sabe disso. Algumas de suas palavras após o título foram:

“Eu acho que nós já terminamos com ‘nós merecemos isso’, ‘devemos ter igualdade salarial’, ‘o mercado é igual’, e assim por diante. Vamos ao próximo ponto: como podemos apoiar federações femininas e projetos femininos ao redor do mundo? O que a Fifa pode fazer, o que nós podemos fazer para apoiar as ligas ao redor do mundo?”, disse a Bola de Ouro.

A iniciativa privada também precisa entender o recado. Não se trata de “caridade”, e sim de um produto que notoriamente atrai interesse, mas que ainda não foi devidamente explorado.

Na Inglaterra, a Super Liga Feminina agora é patrocinada pela Barclays, em um contrato de 10 milhões de libras firmado por três temporadas. Não é o cenário perfeito, mas já é uma mudança de direção.

Falando como espectador, dois aspectos em especial me encantam no futebol feminino: em primeiro lugar, a certeza de que é possível levar minha família para ver um bom espetáculo sem me preocupar com violência nas arquibancadas; e, em segundo, a acessibilidade das jogadoras. Torcedores e imprensa podem estabelecer uma proximidade absolutamente incomparável ao blindado futebol masculino.

Como acompanhar os times femininos?

Se você deu uma chance ao futebol feminino na Copa e gostou, que tal estabelecer uma relação ainda mais próxima? A Band e o Twitter do Brasileirão Feminino transmitem um jogo por rodada do nosso campeonato nacional.

Já o Campeonato Brasileiro Sub-18, primeira competição feminina de base organizada pela CBF em toda a história, começa nesta terça-feira (9) com transmissão dos jogos via streaming. Os campeonatos internacionais são um pouquinho mais difíceis de serem assistidos. No entanto, há ligas e clubes que, por iniciativa própria, também fazem transmissões.

Ainda não é o suficiente, e a modalidade jamais se renderá a migalhas. Mas, como sempre, não faltará luta. O futebol feminino urge por este próximo passo. E não há mais volta. A Copa da França mudou o curso da modalidade para sempre.

É com este singelo manifesto que o Torcedor de Sofá encerra a sua cobertura da Copa do Mundo Feminina. Como de costume, nosso site continuará trazendo conteúdos exclusivos sobre futebol feminino daqui em diante. Você também pode seguir nosso trabalho através do nosso perfil no Twitter.

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