França x EUA: tudo sobre a ‘final antecipada’ da Copa

Um confronto já programado para acontecer há mais de seis meses. Quando as chaves da Copa do Mundo Feminina foram sorteadas, em dezembro, muito se falava de uma possível “final antecipada”. Se tudo seguisse o script, os caminhos de França e Estados Unidos, as duas principais candidatas ao título mundial, se cruzariam nas quartas de final. Foi exatamente o que aconteceu.

A fase de grupos foi um mero protocolo para as duas seleções, ainda que ambas tenham passado apuros nas oitavas. A França precisou da prorrogação para eliminar o Brasil, enquanto os Estados Unidos suaram sangue para derrotar a Espanha.

O assistente técnico da seleção francesa, Philippe Joly, revelou (para a surpresa de absolutamente ninguém) que a equipe está obcecada pelo planejamento desse confronto desde dezembro. Mas o que as anfitriãs pode fazer para levar a melhor? E quais são as armas das tricampeãs mundiais para estragar as festas das donas da casa? É o que vamos discutir abaixo.

Como jogam França e Estados Unidos?

A França de Corinne Diacre possui múltiplas facetas: sabe propor jogo e dar a bola para as adversárias, ataca por dentro e (principalmente) por fora, marca pressão ou defende no próprio campo, é forte nas bolas aéreas ofensivas e defensivas…uma seleção tão qualificada quanto imprevisível, por assim dizer.

Além disso, Diacre sempre gosta de moldar o seu time em relação ao adversário. Não à toa, não repetiu nenhuma escalação nos quatro jogos e já jogou no 4-2-3-1 e no 4-4-2. Contra o Brasil, por exemplo, a treinadora lançou mão de Viviane Asseyi para explorar o setor defendido por Tamires e fechar a linha de 4 na recomposição defensiva. Uma estratégia que deu frutos.

Por outro lado, as americanas não ficam devendo nem um pouco em adaptabilidade e talento individual. A seleção de Jill Ellis joga em um 4-3-3 com uma base bem definida. Também há predileção em atacar por fora, especialmente colocando Tobin Heath e Megan Rapinoe em situações de 1×1.

Os Estados Unidos também assumem uma obsessão em ter a bola, com uma saída de bola muito qualificada e triângulos em toda parte para gerar superioridade numérica. Alex Morgan é sempre uma ameaça na linha de frente, enquanto Rose Lavelle, a next big thing desta equipe, é o motorzinho no meio-campo.

O que a França pode fazer para ganhar?

Assumindo que ambas as seleções já possuem esse confronto planejado há algum tempo, esta promete ser uma batalha em que os mínimos detalhes farão a diferença.

Em relação à França, é provável que o time novamente seja modificado. Não seria nenhuma surpresa ver Delphine Cascarino de volta à equipe. Sua determinação em sempre procurar o 1×1 pode colocar Crystal Dunn em apuros. A lateral-esquerda dos EUA faz boa Copa, mas tem como característica sempre ultrapassar o meio-campo e ser pouco combativa. Isso pode ser um convite para que as donas da casa encontrem espaço nos contragolpes naquele setor.

Outro caminho que pode se provar valioso para a seleção francesa é a marcação pressão no ataque. Os EUA estão tendo muitas dificuldades nesta Copa em superar um pressing bem organizado.

A Espanha, mesmo com um time inferior, conseguiu gerar insegurança nas americanas. Elas inclusive marcaram um gol através de um trabalho de pressão, induzindo Sauerbrunn e a goleira Naeher ao erro. No entanto, vale lembrar que Paris, local do jogo, tem registrado altas temperaturas nos últimos dias. Será que as francesas teriam fôlego para fazer esse trabalho por muito tempo?

As anfitriãs também são capazes de decidir o jogo a partir da bola parada, especialmente a partir de Wendie Renard, a jogadora mais alta da Copa do Mundo. Na fase anterior, o Brasil tentou quebrar o ritmo da França com muitas faltas cometidas (24). Entretanto, pagou o preço ao sofrer um gol com origem justamente em uma cobrança de falta.

Fator-chave: Diani

Em grande forma no Mundial, Kadidiatou Diani pode ser um diferencial por si só. A atacante do PSG já castigou o próprio EUA (time misto) em um amistoso no início deste ano. Na ocasião, Diani atuou como uma espécie de ‘falsa 9’ e marcou dois gols.

 

No Mundial, Diani está jogando mais à direita, onde sua potência e habilidade estão castigando as adversárias. O Brasil provou desse veneno, com Diani dando uma assistência no primeiro gol e cavando a falta do segundo.

E não é só com a bola que Diani pode ser decisiva. Sua capacidade de vencer duelos e recuperar bolas no campo de ataque também pode gerar situações valiosas.

As armas da seleção dos Estados Unidos

Obviamente, os Estados Unidos também possuem muitos argumentos para levar a melhor.

O primeiro deles gira em torno da capacidade em ativar Heath e Rapinoe. Heath jogará no setor de Amel Majri, sem dúvida a melhor lateral-esquerda do mundo, mas que também baseia seu jogo em uma posição mais avançada. Heath não apenas pode explorar os espaços às suas costas, como sua presença deve limitar as ultrapassagens da jogadora do Lyon.

Outra estratégia a ser adotada pelas americanas é induzir a saída de bola adversária pelo meio. Ainda que a França tenha uma pérola chamada Amandine Henry, o jogo das anfitriãs é praticamente todo baseado na capacidade individual pelos lados. Se os EUA souberem limitar essas combinações, as armas das francesas estão praticamente anuladas.

Além disso, Alex Morgan terá um importante papel para tirar Mbock Bathy e Renard de posição e gerar espaços para infiltrações. No jogo anterior, a Espanha abusou das faltas em Morgan para evitar tais ações, mas será difícil que as francesas utilizem do mesmo expediente. E Renard, apesar dos três gols marcados na Copa, por vezes soa irreconhecível em seu posicionamento e gesto técnico, o que pode fazer com que Morgan a induza ao erro em situações cruciais.

Não obstante, as americanas possuem uma seleção mais experiente em jogos dessa magnitude, o que certamente será um diferencial para que a pressão do ambiente e das arquibancadas seja toda direcionada para o outro lado.

Fator-chave: Tobin Heath

Tobin Heath faz um Mundial magnífico e não se esperava nada menos do que isso. A seleção dos EUA normalmente sai para o jogo pela esquerda, com combinações entre Crystal Dunn e Sam Mewis. Porém, num piscar de olhos, a bola é invertida para o outro lado e Heath começa o seu show particular, com muita velocidade, dribles e ousadia.

Tobin Heath, a esperança dos Estados Unidos para superar a França nas quartas da Copa. Foto: Reprodução
Tobin Heath, a esperança dos Estados Unidos para superar a França nas quartas da Copa. Foto: Reprodução

Contra a França, a ponta direita terá ainda mais responsabilidades. Sua capacidade em superar adversárias através do drible será extremamente necessária, sobretudo em um contexto onde as duas seleções negarão muitos espaços.

Mas Heath também precisará de um bom trabalho defensivo, já que muitas das ações da França são concentradas por aquele lado, com Majri e Le Sommer. Uma partida que levará ao limite físico e mental, mas Heath e a seleção americana sabem muito bem da necessidade de tais sacrifícios.

Como bem definiu Jill Ellis, este é o jogo do mundo para as mulheres. Qual o seu palpite? França ou Estados Unidos? Deixa o teu comentário aqui embaixo!

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