Domínio da Premier League na Europa: até onde vai?

A Premier League construiu uma soberania sem precedentes nesta temporada europeia. A liga simplesmente monopolizou os finalistas da Champions e da Liga Europa – e, antecipadamente, também da Supercopa da Uefa. Bem, a verdade é que este domínio da Premier League – não necessariamente da forma como se concretizou, claro – já vinha sendo pavimentado.

E não apenas pela receita exorbitante que a liga gera, mas também pela distribuição cada vez mais igualitária destes recursos. Tanto que, dos 24 clubes de maior receita em todo o planeta, metade deles estão na Premier League.

Mas resumir o domínio da Premier League ao dinheiro é simplório. Afinal, o Liverpool eliminou um Barcelona que gastou 260 milhões de euros em apenas dois jogadores – um deles era do próprio Liverpool. O outro finalista da Champions, o Tottenham, não gasta UM CENTAVO há duas janelas de transferências.

E não necessariamente por falta de dinheiro: só nesta temporada, o Spurs lucrou quase 113 milhões de libras. Não estamos falando de faturamento, e sim de lucro. Mesmo na milionária Premier League, o Tottenham ensinou que há uma via alternativa de se estabelecer entre os grandes – mas isso é papo para outro texto.

O fato é que a Premier também reúne outros méritos, como a concentração dos melhores treinadores da elite. Mauricio Pochettino está há cinco anos no Tottenham. Jurgen Klopp dirige o Liverpool há três anos e meio. Nenhum deles ganhou qualquer título neste período, mas era questão de tempo para que isso mudasse. Como mudará para um dos dois no dia 1º de junho.

A Premier League é a melhor liga do mundo?

Em primeiro lugar, a Premier League é um produto inigualável no futebol mundial. Isso é fato. E a forma como esse produto é comercializado torna a liga ainda mais prazerosa em ser assistida.

Mas ser a melhor liga do mundo também considera outros fatores. E neles, a Premier League ainda não é totalmente dominante. La Liga, por exemplo, tem uma diversidade tática maior e projetos mais consolidados entre os clubes intermediários.

Este aspecto inclusive é bastante subestimado. Quantas vezes você já não ouviu falar que é fácil fazer gol no Getafe, no Levante, no Eibar…porém todos esses times, à sua maneira, são extremamente competitivos. O Getafe, por exemplo, tem grandes chances de estar na próxima Champions (isso também será tema do blog).

Veja bem: os times intermediários da Premier também são de nível muito alto. Mas, em geral, são clubes com muito dinheiro e poucos projetos “reconhecíveis”. Porém, isso certamente mudará nos próximos anos.

Até onde vai o domínio inglês na Europa?

Como supracitado, a Premier League caminha para ampliar a qualidade que possui em relação às outras ligas.

Isso obviamente não significa colocar times na final da Champions todo ano, claro. Mesmo porque a Liga dos Campeões não é necessariamente a competição dos melhores times, mas sim dos mais fortes às circunstâncias que ela produz.

Essa soberania também dependerá de fatores externos, como qual será o impacto do Brexit no futebol inglês. Por enquanto não há nenhuma perspectiva concreta, mas as consequências podem ser prejudiciais.

Do contrário, só vejo duas possibilidades: ou a Premier League nada de braçadas na Europa, ou as outras grandes ligas se atentam ao modelo de negócio da elite inglesa para equilibrar as forças. Estamos falando de um cenário em que um rebaixado West Brom na temporada passada faturou mais em direitos televisivos do que o Atlético de Madrid. Quem será capaz de mudar este cenário?

E para você, o domínio da Premier League na Europa pode perdurar? Deixa teu comentário aqui embaixo e vamos debater!

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