Como o futebol ajudou a construir minha identidade

Uma das histórias que a minha mãe mais gosta de contar sobre a minha infância tem a ver com futebol.

Ela conta que, quando eu tinha uns 3 ou 4 anos de idade – época em que minha família morava no Rio de Janeiro -, eu tinha o pezinho “chato” (reto) e até tropeçava na hora de andar.

Preocupada, ela quis ouvir a opinião de um pediatra. Ele recomendou que eu andasse mais na areia, o que ajuda a formar o arco do pé no bebê. Não satisfeito, o especialista veio com a cartada final: “quando for à praia, compre uma bola pra ele brincar”.

A tal dessa bola desencadeou uma paixão inesgotável. Acompanho futebol de cabo a rabo desde que me entendo por gente. Não à toa, é a principal lembrança que as pessoas têm de mim. “O Gabriel, aquele que é viciado em futebol”.

Com o passar do tempo, fui entendendo com mais clareza o significado do futebol na minha identidade. E hoje percebo que ele foi determinante na construção de quem eu sou.

Apesar de hoje ser alguém relativamente brincalhão e bem-humorado, cresci como um menino tímido, que pouco falava ou muito menos fazia piadas com naturalidade. Só me soltava quando o assunto era aquilo que eu conhecia de melhor: futebol.

E foram justamente esses momentos que desenvolveram minha curiosidade, senso crítico e habilidade em me comunicar. Assim, descobri o que queria fazer desde muito cedo: jornalismo esportivo. E graças ao papai do céu, consegui realizar este sonho.

Também foi através do futebol que desenvolvi o sentimento de comunidade, de pertencimento a um local. Ao contrário da maioria dos jovens da minha cidade, Manaus, desenvolvi um apego pelo combalido futebol amazonense – e uma eterna ilusão de que ele possa se reerguer.

Como consequência, os jogos de nível técnico extremamente duvidoso ainda são um entretenimento do qual eu sinto falta. Eram naqueles estádios que eu me sentia mais amazonense do que em qualquer outro lugar.

O futebol ajudou a construir minha personalidade e até hoje traz valiosos ensinamentos. Não faço ideia do que seria minha vida se não fosse aquele pediatra. Meu pé ainda seria muito reto? Talvez. Mas essa curva na minha existência foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Sua identidade também foi influenciada pelo futebol? Quero ler os comentários de vocês aqui embaixo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *