Brasil x França: as guerreiras caíram de pé

A jornada do Brasil na Copa do Mundo chegou ao fim diante da França. Uma derrota doída. O Brasil não se deu por vencido e, quando ninguém imaginava, levou o jogo contra a França para a prorrogação. No entanto, com mais dois gols sofridos em cruzamentos (um por baixo e um pelo alto) no Mundial, as guerreiras brasileiras não evitaram a eliminação.

Os primeiros 45 minutos foram animadores. Diante de uma França surpreendentemente passiva, o Brasil teve mais a bola e ainda finalizou mais vezes.

Como dito aqui no blog ao longo da semana, Vadão teria que sacrificar Formiga ou Andressinha do time para manter Ludmila e Debinha nas pontas. Diante de uma França que força o jogo pelos flancos, o Brasil não poderia abrir mão do sacrifício de ambas nos dois lados do campo. Sobrou para Andressinha.

A França também adaptou seu time ao Brasil. A novidade no time titular foi a entrada de Viviane Asseyi. Uma escolha acertada de Corinne Diacre, já que Asseyi foi a melhor da França na partida enquanto esteve em campo (4 dribles, 5 desarmes, 5 faltas sofridas).

Apesar do bom início brasileiro, o destino do jogo quase mudou nos primeiros minutos. Em mais um vacilo da defesa brasileira na bola aérea na Copa, Valérie Gauvin abriu o placar. No entanto, a revisão do VAR identificou um toque no braço da centroavante francesa e o gol foi anulado.

Anulação à parte, impressionou a concentração do time brasileiro. No setor mais forte da França, com Majri e Le Sommer, Ludmila e principalmente Letícia Santos fizeram um ótimo trabalho defensivo.

Gols no segundo tempo

No entanto, algo que aconteceu nos acréscimos seria determinante para os primeiros minutos da etapa final: Tamires recebeu cartão amarelo e ficou pendurada pelo restante do jogo.

E foi exatamente explorando o setor de Tamires que a França encontrou o gol na etapa final. Kadidiatou Diani, a craque da partida, foi lançada às costas de Tamires e a brasileira só assistiu a camisa 11 cruzar para Gauvin abrir o placar. Dessa vez, o gol valeu.

Mas as guerreiras do Brasil não se permitiram serem nocauteadas. Onze minutos depois, veio a resposta. No setor mais forte da seleção de Vadão, Tamires e Debinha fizeram ótima trama na jogada que terminou em gol de Thaisa. A camisa 5, que pouco pisa na área adversária, teve muita inteligência para estar no lugar certo e mandar a bola pro fundo das redes.

Nos minutos restantes, o Brasil sustentou a pressão. Marta fez uma partida heroica, como se estivesse em seu auge físico. Onipresente, mostrou por que é uma das maiores lendas da história do futebol.

Mas nossas guerreiras também tiveram coadjuvantes de luxo. O que dizer da partida de Letícia Santos? Antes que a lateral fosse substituída após sentir câimbras, Letícia somou seis desarmes, duas interceptações e três cortes. Sua melhor atuação na Copa, com sobras. E foi com esse esforço coletivo que o Brasil levou a partida para a prorrogação.

Brasil no limite físico

Falando em lesão, o Brasil perdeu Cristiane na prorrogação. Cris, assim como Marta, ainda não havia jogado 90 minutos na Copa por problemas físicos. Nossa 11 foi para o sacrifício, mas aguentou poucos minutos e aparentemente agravou a lesão. Sem Cristiane, Vadão lançou Geyse – já havia colocado Bia, Andressinha e Poliana no segundo tempo.

O Brasil estava no seu limite físico, e isso cobraria o seu preço na prorrogação. Porém, antes disso, Debinha teve a chance de mudar essa história. A camisa 9 saiu na cara de Bouhaddi e finalizou, mas Mbock Bathy salvou quase em cima da linha.

No segundo tempo da prorrogação, a França matou o jogo no primeiro minuto. Para variar, na bola aérea. Amandine Henry aproveitou cobrança de falta (cavada por Diani) e fez o gol da classificação francesa.

O Brasil não teve resposta. Mesmo com as substituições, o time não tinha mais fôlego. Resultado de uma preparação cheia de problemas, com muitas jogadoras cortadas por lesão e outras jogando no sacrifício.

Esperança pós-Copa do Mundo

Nossas guerreiras não têm do que se envergonharem. Competiram de igual pra igual contra uma das melhores seleções do mundo. Mas a derrota doeu. E vai doer por muito tempo. O Brasil volta pra casa, mas de cabeça erguida, pois foi além do que todos imaginavam na Copa do Mundo da França.

Independentemente da eliminação, que fique o consolo da maior esperança do futebol feminino brasileiro: que o interesse impulsionado pela Copa seja um marco de um desenvolvimento e uma atenção maior para a modalidade.

Se isso acontecer, este será o nosso grande troféu.

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